
1 Coríntios 13
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
Durante uma fase da minha vida sonhei em ter um fusquinha branco.
E tudo começou quando ganhei uma carona nesse simpático carro.
O trajeto foi curto, de Bom Jesus do Norte a Bom Jesus do Itabapoana.
Recordo-me do motorista gordinho e cabeludo, mas que dirigia o fusquinha com uma leveza espantosa apesar de uma chuva de verão que caía na cidade.
Desde então passei a imaginar um carro igual aquele da carona e durante algum tempo, aonde ia eu encontrava carros com mesmas características.
Conto essa pequena história para mostrar que em nossas vidas existem momentos em que passamos a notar algo com mais freqüência, à medida que passamos a nos interessar por aquilo.
Temos dentro de nós a capacidade de ficarmos focados no fruto do nosso interesse e por isso passamos a prestar mais atenção naquilo que procuramos.
E pode ser assim com um fusquinha branco, com um corte especial de cabelo, uma cor nova para casa, um modelo de roupa nova, e até mesmo com pessoas.
Só que nós, seres humanos, queremos sempre aquilo que é bom, belo e gostoso, o que pode funcionar perfeitamente bem com as coisas materiais. Com pessoas a conversa muda de rumo.
Vivemos sempre rodeados de pessoas, com as quais temos que ter algum tipo de relacionamento. E isso começa dentro de nossas casas com os familiares e sai pela porta afora, com amigos, colegas de trabalho, irmãos na igreja, e até mesmo pessoas que não temos muito conhecimento, mas com as quais precisamos conviver.
Muitas das vezes existe dentro de nós a exigência de um padrão de qualidade, em que só as virtudes são procuradas, para poder se manter um relacionamento em qualquer nível de convivência. E por isso mesmo corremos o sério risco de vivermos procurando aquilo que não existe, ou seja: o ser perfeito.
Quando o nosso alvo de procura no outro é só a virtude, a frustração é inevitável, mais cedo ou mais tarde, pois os defeitos também aparecem.
E isso é perigoso, pois as qualidades e defeitos ganham o mesmo tamanho, de acordo com o alvo da nossa procura.
Se procurarmos qualidade, vamos encontrar muitas.
Mas se procurarmos defeitos, também vamos encontrá-los.
E é aqui que entra outra coisa fundamental, o amor.
É baseado nesse sentimento sublime que devemos ter a sabedoria de ajustar o nosso raio de visão, para observamos que uma pessoa não é feita só de virtudes e que é possível levar uma vida de muita harmonia com quem tem defeitos.
Quando percebemos que todos nós somos feitos de virtudes, mas com alguns defeitos, passamos a entender o outro melhor. E como isso é importante em nossas vidas. Não nascemos para vivermos sozinhos e para vivermos juntos é preciso que nos aceitemos. E isso só é possível com amor.
A nossa natureza é para que vivamos em uma sociedade cotidiana e como tal, a boa convivência é fundamental.
E quanto ao meu sonho, ele foi por água abaixo quando um amigo me contou que tinha comprado um fusquinha e que para o carrinho andar ele tinha que gastar uma nota toda semana. Era um tal de apertar parafusos, trocar peças, óleo, correia, etc. Ele estava ficando louco.
Dá até outro assunto.
Qualquer dia eu comento o quanto a opinião dos outros representa em nossas vidas.
Será que isso é bom ou ruim?
Até a próxima.
Por Robson Araújo
30/05/2009